Moradores reassentados na Billings enfrentam nova ameaça de remoção em SP
Famílias do Jardim Apurá e do Grajaú vivem incerteza após reassentamentos, unidades novas e obras que seguem alterando a região

Moradores do Jardim Apurá e do Grajaú, às margens da Represa Billings, voltam a enfrentar incerteza sobre moradia devido a planos de obras e mudanças em projetos de reassentamento.
Famílias reassentadas relatam que custos de condomínio, financiamento e manutenção tornaram inviável a permanência em apartamentos entregues pela prefeitura, e muitas retornaram às áreas originais.
Wesley Silvestre Rosa, 39, morador do Jardim Apurá no distrito da Cidade Ademar, diz que remoções e reassentamentos começaram na década de 2010 e afetaram bairros como Pedreira e Grajaú.
Os residenciais Espanha e América somam 5.048 unidades habitacionais; moradores apontaram impactos ambientais e alegaram que nem sempre as famílias locais foram contempladas pelas novas moradias.
Desde 2017, parte dos moradores do Jardim Apurá possui Cuem (Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia), documento que eles entendiam como garantia de permanência, mas alterações nos projetos geraram aviso de possível nova remoção.
No Grajaú, construções de parques lineares e da Ponte Graúna-Gaivotas já provocaram remoções em áreas entre o Cantinho do Céu e o Jardim Gaivotas, e há relatos de falta de orientações do poder público sobre o destino das famílias atingidas.
A trabalhadora doméstica Fernanda da Rocha, 60, mora no Jardim Gaivotas desde 1990; ela relata apreensão pelas desocupações e diz ter evitado reformas por medo de perder a casa.
5.048 — unidades nos residenciais Espanha e América
2017 — ano em que moradores do Jardim Apurá receberam Cuem
1992 — remoção da família de Wesley, quando ele tinha quatro anos
1990 — ano em que Fernanda passou a morar no Jardim Gaivotas
"A gente nunca teve a certeza da moradia", afirmou Wesley Silvestre Rosa sobre as remoções e o reassentamento na região.