Mortes em ações da PM de Minas crescem 54,1% em dois anos
Foram 133 mortes em 2023, 205 em 2025; 110 já ocorreram entre janeiro e julho de 2026

Mortes em intervenções da Polícia Militar de Minas Gerais subiram 54,1%, de 133 em 2023 para 205 em 2025.
Em 2026, foram registradas 110 mortes entre janeiro e julho.
Os dados são compilados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e reúnem ocorrências envolvendo policiais da ativa, em serviço, de folga ou agindo em razão da função.
Em 2026, Belo Horizonte lidera com 17 mortes entre janeiro e julho; Contagem teve 11 e Campo Belo 8; Teófilo Otoni e Betim registraram cinco cada; Ribeirão das Neves, Poté, Montes Claros e Esmeraldas aparecem com três mortes cada.
Em 2025, Belo Horizonte teve 33 mortes do total de 205 no estado; Araguari apresentou a maior taxa municipal, com cerca de 9,7 mortes por 100 mil habitantes (12 mortes no total), seguida por Esmeraldas (7,5) e Ribeirão das Neves (3,7).
O pesquisador em segurança pública Jorge Tassi atribui o aumento à atuação do crime organizado e à ocupação de territórios em cidades com maior fluxo econômico e logístico, como Belo Horizonte e o Triângulo Mineiro.
Tassi diz que o crime organizado avança sobre estruturas do Estado e que “a polícia vai trabalhar no processo de repressão e, infelizmente, a letalidade acaba sendo o resultado próprio dessa atividade reativa do Estado”.
Wagner Dias Ferreira, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MG, afirma que as mortes atingem desproporcionalmente população negra, jovem e periférica, e cita a ADPF 635 como referência para a análise desse padrão.
54,1% — aumento nas mortes em intervenções da PM entre 2023 e 2025 (133 → 205)
110 — mortes registradas entre janeiro e julho de 2026
17 — mortes em Belo Horizonte entre janeiro e julho de 2026
33 — mortes em Belo Horizonte em 2025
9,7 — mortes por 100 mil habitantes em Araguari (12 mortes) em 2025