Mortes no trânsito sobem 6,6% e Brasil se afasta da meta de 2030
Óbitos no transporte terrestre passaram de 32.716 em 2020 para 34.881 em 2023; especialistas pedem indicadores e inspeção veicular

O número de mortes no trânsito subiu 6,6%, de 32.716 em 2020 para 34.881 em 2023, comprometendo a meta de reduzir óbitos pela metade até 2030.
O aumento mostra que o Brasil não avançou na Segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito, cujo ano-base é 2020 no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans).
Os dados vêm do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, compilados pelo Ipea; o Pnatrans é vinculado ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Daniel Bassoli, diretor executivo da Federação Nacional da Inspeção Veicular (Fenive), disse que o cumprimento da meta depende de políticas públicas permanentes, fiscalização, segurança veicular e integração de bases de dados.
A Fenive defende indicadores públicos por Estado, prazos e responsáveis definidos: “Metas sem medição viram promessa”, afirmou Bassoli, que representa a sociedade civil na Câmara Temática do Pnatrans.
A entidade também propõe implantação periódica da Inspeção Técnica Veicular (ITV); a inspeção consta no Código de Trânsito Brasileiro desde 1997, mas a regulamentação do Contran de 2017 foi suspensa em 2018.
O Relatório da Frota Circulante 2026, do Sindipeças e da Abipeças com dados de 2025, aponta idade média de 11,1 anos para veículos leves e 12,1 anos para pesados; 52,6% dos leves e 60,2% dos pesados têm mais de dez anos.
Dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que, entre janeiro e julho de 2026, sinistros com caminhões somaram 10.822 ocorrências, 11.243 feridos e 1.681 mortes, todos em alta frente a igual período de 2025.
A ausência de uma base nacional consolidada que reúna registros de rodovias federais, estaduais e vias urbanas impede identificar grupos de risco, circunstâncias dos sinistros e avaliar políticas públicas.
A proposta alinhada ao conceito de sistema seguro da Organização Pan-Americana da Saúde inclui gestão institucional, infraestrutura, veículos, comportamento e atendimento pós-sinistro, segundo Bassoli.
Como próximo passo, a Fenive pede criação de indicadores públicos por Estado, prazos e responsáveis, integração das bases de dados e implantação periódica da ITV para medir resultados e reduzir mortes.