Niterói completa 18 meses sem feminicídios graças a rede municipal integrada
Secretaria das Mulheres, Delegacia da Mulher, Guarda e nove equipamentos de acolhimento articulam prevenção, atendimento e saída segura para vítimas.

Niterói chegou a 18 meses sem registrar feminicídios.
A rede municipal hoje reúne nove equipamentos de proteção e acolhimento, incluindo a Casa Acolher Bárbara Siqueira, serviços jurídicos, psicológicos e sociais, e a Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal.
O marco foi apresentado na segunda mesa do seminário Desafios e Avanços no Combate ao Feminicídio, nesta sexta-feira (25), organizada pela Editora Globo; participaram Elisa Borboni, titular da Delegacia da Mulher de Niterói; Thaiana Ivia, secretária municipal das Mulheres de Niterói; Schuma Schumaher, pesquisadora e consultora do Espaço Empreender; e Francine Lima, coordenadora da Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Niterói.
Schuma Schumaher atribuiu o resultado à continuidade das ações, à articulação entre setores e ao compromisso da gestão pública: "Niterói não fez milagre. Niterói fez bem feito." Francine Lima explicou que, em casos de risco elevado, a mulher e os filhos podem ser encaminhados à Casa Acolher Bárbara Siqueira e receber suporte da rede.
Thaiana Ivia detalhou que saúde, educação, assistência social, segurança e geração de renda atuam em diferentes momentos do atendimento e que ações territoriais têm ampliado o reconhecimento de formas não físicas de violência; ela disse: "Estar há 18 meses sem feminicídios é um marco importante, mas isso não significa que as mulheres estejam seguras. Outras formas de violência continuam acontecendo, e é justamente por isso que seguimos trabalhando de forma firme, contínua e ostensiva."
A cidade instalou totens em áreas de grande circulação com informações, QR Codes e indicações de locais de atendimento para alcançar mulheres sem internet ou sem celular, e a Guarda Municipal atua 24 horas e pode ser acionada pelo telefone 153.
Schuma defendeu que a prevenção precisa começar na educação de crianças e adolescentes e chamou os homens a participarem da transformação cultural contra o machismo: "As mulheres não nasceram para apanhar, assim como os homens não nasceram para bater."