Oito deputados votaram contra acelerar o PL da Misoginia
Eles também se posicionaram contra aborto legal, fim da escala 6×1 e em defesa de PECs que fragilizam garantias

Oito deputados votaram contra, em julho de 2026, acelerar o PL da Misoginia (PL 896/23).
A votação do REC nº 3690/2026 avançou por 293 votos, enquanto 158 parlamentares optaram por frear o projeto que endurece penas por crimes de ódio contra mulheres.
Os oito identificados são Bibo Nunes (PL-RS), Daniel Freitas (PL-SC), Fabio Schiochet (União-SC), Julia Zanatta (PL-SC), Maurício Marcon (PL-RS), Nicoletti (PL-RR), Pezenti (MDB-SC) e Ricardo Guidi (PL-SC); seis pertencem ao PL; sete representam a Região Sul.
Além de obstruir o PL da Misoginia, oito parlamentares também votaram contra ampliar o acesso ao aborto legal, resistiram ao fim da escala 6×1 e apoiaram PECs relacionadas à presunção de inocência e blindagem parlamentar.
Em novembro de 2025, a Câmara aprovou o PDL 3/25 por 317 a 111, o que dificultou o acesso ao aborto legal para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
A lei atual que trata de misoginia é a Lei 13.642/18, que atribui à Polícia Federal a investigação de misoginia na internet; o PL 896/23 quer tornar crimes de ódio contra mulheres inafiançáveis e imprescritíveis.
Dados oficiais mostram 848 assassinatos de mulheres de janeiro a julho de 2026, média de quatro por dia; desde 2021, mais de 62% das vítimas são negras e metade tem 30 a 49 anos.
Relatórios indicam que, em 2024, 66% dos feminicídios ocorreram na residência da vítima e 80% envolveram companheiros ou ex-parceiros; em 2025, 148 mulheres foram mortas mesmo com Medida Protetiva de Urgência vigente.
“Aprovar o Projeto de Lei [da Misoginia] logo é fundamental; estamos falando de metade da população sob constante ameaça”, disse a pesquisadora Carla Antloga, da UnB.
Dos oito, Nicoletti disputa o Senado em 2026; os demais buscam reeleição à Câmara nas eleições de 2026.
848 — feminicídios registrados de janeiro a julho de 2026
293 — votos a favor de acelerar a votação do PL da Misoginia
158 — votos contrários ao adiantamento do PL
317 a 111 — placar da votação do PDL 3/25 sobre Resolução 258 do Conanda