Olga Rudenko: eleições na Ucrânia só com acordo de paz ou cessar‑fogo estável
Pesquisa KIIS mostra 57% dos ucranianos só apoiam votos após paz; pleitos presidenciais e parlamentares seguem adiados.

Jornalista Olga Rudenko diz que eleições na Ucrânia só podem ocorrer após acordo de paz ou um cessar‑fogo estável.
Uma pesquisa do KIIS, realizada de 20 de julho a 3 de agosto, mostra: 57% querem eleições só após um acordo final de paz; 23% apoiam votos após um cessar‑fogo com garantias; 15% apoiam eleições imediatas.
As eleições parlamentares deveriam ter ocorrido há cerca de 2 anos e meio e as presidenciais há 2 anos; ambos os pleitos foram adiados por tempo indeterminado porque a Constituição proíbe eleições durante a vigência da lei marcial, e Volodymyr Zelensky (Servo do Povo, centro) continua no cargo.
A Ucrânia é república semipresidencialista; mandatos de 5 anos para todos os cargos; o presidente pode ser reeleito uma vez de forma consecutiva; a Verkhovna Rada tem 450 membros; o voto é facultativo para maiores de 18 anos.
O ex‑ministro da Defesa Mykhailo Fedorov pediu eleições em agosto, afirmando que o país enfrenta uma “crise sistêmica de governança”; Fedorov foi demitido em julho por Zelensky, seis meses após assumir a pasta, com o motivo apontado de “incapacidade de trabalhar em sincronia com as Forças Armadas”, e sua demissão provocou protestos.
Em 23 de agosto, Zelensky disse que “as eleições neste momento são um tsunami para o Estado, que vai dividir a Ucrânia”, e afirmou que sua estratégia é conduzir o país ao fim da guerra e preservar um Estado independente e soberano.
Outra pesquisa do KIIS, de 21 de agosto a 10 de setembro, indica que 54% dos ucranianos confiam em Zelensky e 41% não confiam; levantamento do canal Keshet 12, em julho de 2026, mostrou 38% de confiança em Benjamin Netanyahu e 60% de desconfiança.
"Na maior parte do tempo, o consenso tem sido de que precisamos de um acordo de paz ou, no mínimo, de um cessar‑fogo estável para que uma eleição ocorra", afirmou Olga Rudenko, que também alerta que a ausência temporária de eleições exige fiscalização rigorosa sobre quem governa.