Partidos lançam candidatos ao Senado fora dos redutos para fortalecer bancadas nas eleições de 2026
Movimento envolve políticos nacionais que trocaram domicílio por estados-alvo; prazo eleitoral de domicílio terminou em 4 de abril

Partidos lançam candidatos ao Senado em estados distantes de suas bases para garantir lealdade em votações cruciais nas eleições de 2026.
O prazo legal de domicílio eleitoral de seis meses para concorrer às eleições de 2026 terminou em 4 de abril.
Hélio Lopes (PL) transferiu-se do Rio de Janeiro para Roraima; Carlos Bolsonaro (PL) foi lançado em Santa Catarina; Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) buscam vagas por São Paulo, vindo do Acre e do Mato Grosso do Sul, respectivamente.
Hélio Lopes foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2018 e reeleito em 2022; a Justiça Eleitoral proibiu o uso do sobrenome “Bolsonaro” na urna e na propaganda, e ele concorre como Hélio Fernando Barbosa Lopes; Lopes afirma ter feito curso militar em Boa Vista em 1999, atuado na região amazônica e enviado emendas para laboratórios de informática em Roraima antes da transferência de domicílio.
A chegada de Lopes surpreendeu dirigentes locais do PL em Roraima; o diretório estadual planejava lançar só o deputado Nicoletti (PL), mas Brasília articulou a inclusão de um segundo nome a pedido de Jair Bolsonaro; Arthur Henrique (PL), presidente do partido em Roraima, liberou candidatos locais para administrar compromissos desde que não critiquem diretrizes partidárias.
A mudança alterou a distribuição do Fundo Eleitoral em Roraima: Nicoletti distribuiu R$ 3,1 milhões para sua campanha, enquanto Hélio Lopes recebeu R$ 500 mil; diante da diferença, Lopes disse que busca alternativas para estruturar sua campanha.
A legislação permite a troca de domicílio desde que o candidato comprove seis meses antes do pleito; o Senado tem poder exclusivo de aprovar indicações ao STF e julgar processos de impeachment, razão pela qual partidos buscam senadores alinhados.
“A manobra é uma ferramenta do xadrez político em Brasília”, afirmou a cientista política Graziella Testa, doutora pela USP, sobre a estratégia de migrar candidaturas.
R$ 3,1 milhões — parcela do Fundo Eleitoral destinada à campanha de Nicoletti em Roraima
R$ 500 mil — parcela destinada à campanha de Hélio Lopes
As candidaturas seguem em campanha até as eleições de 2026.