Pesquisa da USP liga internações por diabetes à vulnerabilidade em São Paulo
Análise espacial de 2018–2021 identifica concentrações em áreas de baixa renda e periferias da capital

Estudo da FFLCH da USP mostra que internações por diabetes concentram-se em áreas mais vulneráveis de São Paulo.
A pesquisa analisou internamentos de 2018 a 2021 e conseguiu geocodificar 93% dos registros disponíveis.
O autor Matheus Edson Rodrigues da Silva usou dados públicos do SIH/SUS, dividiu a cidade em 310 áreas e converteu CEPs em coordenadas geográficas para análise espacial.
Foram aplicados testes de autocorrelação espacial e modelos de regressão geograficamente ponderada para cruzar internações com variáveis socioeconômicas, demográficas e do ambiente urbano.
A análise identificou agrupamentos de internações em regiões periféricas e áreas com menor renda, mostrando associação entre vulnerabilidade social e maiores proporções de internação.
Dados do Ministério da Saúde apontam que 12,9% dos adultos nas capitais relataram diagnóstico de diabetes em 2024, ante 5,5% em 2006.
"Essas internações por diabetes não se espalham de forma aleatória", afirmou Matheus Edson Rodrigues da Silva ao explicar os resultados.
Os pesquisadores recomendam fortalecer a atenção primária e o acompanhamento de pessoas com diabetes nos territórios, além de considerar acesso à alimentação e condições do ambiente urbano para medidas de prevenção e cuidado.