Plano climático de Salvador replica diretrizes de São Paulo e tem financiamento incerto
Os dois planos foram produzidos pelas mesmas consultorias; pesquisador diz que diretrizes padronizadas podem expulsar moradores de áreas de risco.

O plano de ação climática de Salvador copia diretrizes padronizadas usadas no de São Paulo, segundo análise de pesquisador.
As duas cidades contrataram as mesmas empresas e parcerias — C40, consultoria WayCarbon e ICLEI — e os documentos foram executados pelos mesmos profissionais.
O pesquisador Paulo Zangalli, da UFBA, afirma que as medidas priorizam retrofit de prédios antigos sem garantir remoção ou reassentamento de moradores de áreas de risco.
Zangalli, líder do Grupo de Pesquisa Colapso — Natureza e Sociedade, diz que a adaptação prevista nos planos é tímida e depende de ativos do mercado financeiro, sem financiamento garantido.
Em São Paulo, o rio Tietê transbordou nesta semana com vazão duas vezes maior que o limite normal; bairros como Jardim Pantanal sofreram enchentes rápidas no começo da manhã.
O morador e jornalista Rafael Tavares, residente no Jardim Pantanal desde 1994, descreveu a água como "parecia uma cachoeira" e relatou correria para salvar pessoas e bens.
A Prefeitura de São Paulo informou que a região recebe R$ 59,8 milhões em obras de drenagem, pavimentação e contenção no Rio Tietê e que o Plano de Ação Climática, revisado em 2025, estabelece 36 metas de adaptação.
Entre as metas de São Paulo está a implantação de 1.000 jardins de chuva até 2028, com prioridade para áreas com histórico de alagamentos.
A Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem‑estar e Proteção Animal de Salvador afirmou que o plano foi elaborado com metodologias internacionalmente reconhecidas e que a participação social teve caráter consultivo e técnico; a versão final do plano baiano é de novembro de 2020.
R$ 59,8 milhões — obras de drenagem, pavimentação e contenção no Rio Tietê
36 metas — metas de adaptação no plano de São Paulo revisado em 2025
1.000 jardins de chuva até 2028 — ação prioritária para prevenir alagamentos
novembro de 2020 — versão final do plano de Salvador
"Na prática… vamos usar o clima para fazer retrofit de prédio antigo… e expulsar as pessoas que moram ali", disse Paulo Zangalli ao criticar a aplicação das diretrizes.
Próximo passo concreto: São Paulo pretende implantar 1.000 jardins de chuva até 2028; a execução e o financiamento das ações de adaptação em Salvador permanecem sem cronograma de desembolso garantido.