Por que o candidato mais votado nem sempre vira deputado
No sistema proporcional, votos individuais contam também para partidos; faltas na votação da legenda já eliminaram candidatos em 2026.

Candidato mais votado nem sempre se elege por causa do sistema proporcional e do quociente eleitoral.
No 1º turno das Eleições 2026, Aava Santiago (PSB-GO), 123.311 votos, e Robinson Faria (PP-RN), 123.008 votos, não se elegeram por falta de votação suficiente de suas legendas.
O advogado Getúlio Immich da Silva explica que o voto do eleitor vale para o candidato e para o total do partido ou da federação partidária.
O Quociente Eleitoral (QE) é o total de votos válidos do estado dividido pelo número de cadeiras em disputa; exemplo: 450 mil votos válidos e 30 cadeiras geram QE de 15 mil votos.
O Quociente Partidário divide o total de votos da sigla (votos nominais + votos na legenda) pelo QE; se um partido soma 30 mil votos num estado com QE de 15 mil, ganha duas cadeiras, ocupadas pelos dois mais votados da legenda.
Candidatos muito votados ajudam a elevar o quociente partidário e podem "puxar" outros nomes da mesma chapa para o parlamento; Nikolas Ferreira (PL-MG), 3,1 milhões, e Lucas Pavanato (PL-SP), 3,0 milhões, juntos garantiram 17 cadeiras ao PL na Câmara.
A legislação exige cláusula de desempenho individual: cada candidato puxado precisa obter ao menos 10% do Quociente Eleitoral para tomar posse.
As cadeiras não preenchidas pelo quociente partidário são distribuídas pelas sobras, calculadas pela maior média.