Procuraria meu lugar no futuro e não encontraria
Informação publicada por Gama Revista.
Antes de conhecer o resultado da eleição de domingo último, achei que eu escreveria este texto de dentro do túmulo do país. Se a milícia fascista tivesse subido à Presidência, o texto teria mesmo este título: escrevo de dentro do túmulo do Brasil, como o defunto-autor Brás Cubas, do genial Machado de Assis. Imaginei que o texto sairia em linguagem fática, como me ensinaram nas aulas de língua portuguesa do curso de Letras da USP, nos idos de não-sei-que-ano. Seria a narrativa de uma conversa vaga com algum amigo, amiga ou conhecido, antes de sabermos o resultado do temido pleito. Seria domingo, no meio da tarde, num imprevisto e rápido encontro na rua, falas entrecortadas, hesitantes, cheias de incertezas, tentativa de duas pessoas se comunicarem na situação em que eu estava — tão louca que pouco importava o conteúdo das nossas falas.
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