Rodas de samba movimentam R$ 2,7 milhões em SP, mas enfrentam falta de apoio público
Pesquisa percorreu 56 rodas entre nov/2025 e jun/2026 e ouviu 1.267 pessoas sobre recursos, participação e ancestralidade

Rodas e comunidades de samba em São Paulo movem R$ 2.729.160 em uma única edição coletiva, mas sofrem falta de políticas públicas e diálogo com o poder público.
A relação ruim ou inexistente com o poder público foi apontada por 57,5% dos 41 organizadores ouvidos, e 75% citaram falta de recursos como dificuldade concreta.
A pesquisa “Comunidades e Rodas de Samba da Cidade de São Paulo” foi realizada pelo Observatório Ibira30 e pelo Bloco do Beco, em parceria com a FespSP, entre novembro de 2025 e junho de 2026; o levantamento percorreu 56 rodas e comunidades e ouviu 1.267 frequentadores, músicos e organizadores.
Entre os grupos pesquisados estão Bate Fundo, Samba da Vela, Pagode da 27, Comunidade do Samba da Santa Cecília, Samba do Bixiga e Samba do Chinelo; Luiz Cláudio de Souza, 51, aparece como um dos fundadores do Bloco do Beco.
Acesso a editais e fomentos aparece como obstáculo: 72,5% dos organizadores apontaram ausência de políticas públicas e a burocracia foi citada como principal barreira para acessar editais, segundo Alexandre Marques, 24, da Coordenação de Campo e Relatório do Observatório Ibira30.
450 — público médio por evento
R$ 108,30 — gasto médio por frequentador (transporte e lazer)
R$ 2.729.160 — circulação estimada considerando uma edição de cada iniciativa (cerca de R$ 48,7 mil por evento)
R$ 1 investido → R$ 10 de gastos do público
68% — profissionais para quem a atuação nas rodas não é a principal fonte de sustento
43% — músicos que fazem mais de uma apresentação por semana
72,8% — entrevistados que se identificam como pretos (44,2%) ou pardos (28,6%); por zonas: sul 80%, leste 73,2%, norte 71%, centro 63%, oeste 61%.
"Os fomentos, os editais e as políticas de incentivo muitas vezes não chegam, de fato, às rodas de samba", disse Alexandre Marques ao enfatizar a burocracia como barreira.
O próximo passo indicado pela pesquisa é ampliar a participação das comunidades em fóruns e espaços de debate público para que editais e políticas culturais sejam adaptados às necessidades das rodas.