SBPC acha planos presidenciais contra desmatamento alinhados, mas com lacunas
Análise aponta compromisso com desmatamento ilegal zero até 2030, falta estratégia de Estado e conexão com ciência

SBPC analisou planos de governo entregues ao TSE e concluiu que candidatos se declaram contra o desmatamento, mas priorizam produtores locais mais que comunidades.
O compromisso com o fim do desmatamento ilegal até 2030 aparece como alinhamento relevante, mas os planos carecem de mecanismo estatal contínuo e de integração com CT&I.
A investigação faz parte do Observatório das Eleições 2026, ação da SBPC que reúne candidaturas que se comprometem com Ciência, Tecnologia e Inovação.
Francilene Garcia, presidente da SBPC, defende que o Brasil trate a biodiversidade como projeto de Estado, articulando INPA, Embrapa, Fiocruz, universidades e povos e comunidades tradicionais, com participação justa, consulta prévia e proteção contra biopirataria física e digital.
Garcia acrescenta que o País precisa contar com a Ciência para transformar produtos e conquistar soberania, citando a diferença entre exportar minério e exportar semicondutor.
A análise aponta proposta concreta de recuperação: 28 milhões de hectares de pastagens degradadas em dez anos, integrando lavoura, pecuária e floresta com ciência disponível.
A candidata Clariana Barão, pelo Democracia Cristã, não apresenta políticas dedicadas à preservação ambiental, emergência climática ou temas correlacionados em seu plano.
Edmilson Costa, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), propõe integrar políticas ambientais a indústria, CT&I, educação e agropecuária, afirma a emergência climática e aponta o agronegócio como principal destruidor do meio ambiente, defendendo reforma agrária popular.
Augusto Cury, do Avante, defende dobrar a produção agropecuária com preservação ambiental; usa satélites, drones, sensores, inteligência artificial e análise de dados; apoia mercado regulado de crédito de carbono e Pagamento por Serviços Ambientais; e propõe um Plano Estratégico de Proteção Ambiental e Combate Inteligente a Incêndios, sem citar comunidades, mas com meta de “resgatar milhões de brasileiros de condições sub-humanas”.
Flávio Bolsonaro, do PL, diz que meio ambiente é ativo estratégico; apoia mercado regulado de crédito de carbono com segurança jurídica; quer incentivar economicamente preservação para remunerar produtores, comunidades e proprietários rurais; promete zerar desmatamento ilegal até 2029 usando inteligência artificial, bancos de dados, imagens de satélite e ação coordenada de agências; e propõe eliminar “superposições” entre Ibama, Funai e ICMBio, além de exigir mais transparência de financiadores e ONGs.
O texto organiza um resumo das propostas de cada presidenciável em ordem alfabética conforme registros no TSE.