Tarifa zero pode aumentar demanda até 371% e exige financiamento permanente
Estudo diz que gratuidade amplia viagens, mas sem mais ônibus provoca superlotação; PEC foi enviada ao Congresso em 21/10/2026

Tarifa zero pode elevar a demanda por ônibus em até 371%, mas só funciona com financiamento permanente e mais oferta.
A política precisa de financiamento estável, ampliação da frota e contratos que garantam uso dos recursos públicos para melhorar serviços.
O advogado Cláudio Castello de Campos Pereira, ex-integrante da ARTESP e presidente do Instituto Vox Civitatis, reuniu estudos nacionais e internacionais para avaliar a gratuidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou a PEC sobre tarifa zero ao Congresso em 21 de outubro de 2026, quatro dias antes do segundo turno das eleições.
O Governo Federal prevê reservar emendas parlamentares para financiar gratuidade em fins de semana e feriados, com estimativa de aproximadamente R$ 12 bilhões para 2027.
Levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) mostra aumentos expressivos em municípios que adotaram a gratuidade.
O estudo destaca que o aumento da demanda revela deslocamentos antes não atendidos, afetando sobretudo famílias de baixa renda.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) tabulada pelo Ipea aponta que deslocamentos consumiam, em média, 13,13% da renda das famílias em 2017.
Em vários casos a oferta de ônibus não acompanhou a demanda: em Caucaia a demanda subiu 371% enquanto a oferta aumentou 46%; em Mariana, 73% avaliaram lotação como ruim ou péssima.
Caucaia (CE) — 510 mil/mês (ago/2021) para 2,4 milhões/mês (set/2023) — +371%
São Caetano do Sul (SP) — 22 mil/dia (out/2023) para 70 mil/dia (fev/2024) — +218%
Luziânia (GO) — 4,3 mil/dia (out/2023) para 13 mil/dia (dez/2023) — +202%
Paranaguá (PR) — 285 mil/mês (mar/2022) para 700 mil/mês (mai/2023) — +146%
Mariana (MG) — 140 mil/mês (jan/2022) para 343 mil/mês (jan/2024) — +145%
Maricá (RJ) — 50 mil/dia (fev/2021) para 122 mil/dia (set/2023) — +144%
"Quando a catraca se abre, os passageiros aparecem", afirmou Cláudio Castello ao resumir a relação entre gratuidade e demanda.
O debate sobre a PEC segue no Congresso, ao mesmo tempo em que se discute vetos ao Marco Legal do Transporte e queda de 4% nos investimentos federais em infraestrutura de transportes.