Valéria nega laço conjugal com Cezinha, mas foi sócia do filho dele em rádio
A sociedade coincidiu com autorização da Anatel para FM em Osasco e com parcelamento de R$ 6,7 milhões assinado por servidor do MCom

Valéria Rodrigues Linhares nega que seja mulher do deputado federal Cezinha de Madureira, mas foi sócia do filho dele na Exclusive Music Radiodifusão Ltda.
A entrada do filho do deputado, Allan Sousa Vieira Freire, na sociedade ocorreu em 3 de julho de 2024, dois dias depois do Ato nº 10.010, de 1º de julho de 2024, que autorizou a Exclusive Music a usar frequência FM em Osasco.
Allan entrou com R$ 25 mil (50% do capital) em 3/7/2024 e permaneceu na sociedade até 26/2/2025; Valéria detinha os outros 50% do capital.
A Exclusive Music avançava no processo de migração para FM enquanto tramitava na Anatel o processo nº 53500.083361/2024-94 para alterar características técnicas do canal 243 (96,5 MHz), com observação “estação fora do município de outorga”.
O Extrato de Termo de Parcelamento Administrativo relativo ao processo foi assinado em 6 de dezembro de 2024 por Wilson Diniz Wellisch, pela União, e por Valéria Linhares, identificada como sócia-administradora, pelo valor de R$ 6,7 milhões em 120 parcelas.
A regra transitória do MCom reduziu o total em mais de R$ 2 milhões; o valor poderia ter chegado a R$ 8,8 milhões, e a empresa teria obrigação de quitar diferença futura caso ocorra correção.
Antes da entrada de Allan, a Portaria nº 11.609, de 14 de dezembro de 2023, publicada em 18/12/2023, transferiu a concessão original da Rádio Iguatemi Ltda. para a Exclusive Music; a empresa foi constituída em dezembro de 2021 com capital de R$ 40 mil (Valéria R$ 20,4 mil; Douglas dos Anjos R$ 19,6 mil).
O deputado Cezinha (PL-SP), pastor da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira, aparece em mensagens obtidas pela investigação como articulador de encontro entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro André Mendonça, realizado em março de 2025 em São Paulo; Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro e disse que a conversa tratou de precatórios e que sua atuação posterior foi contrária à posição defendida por Vorcaro.
Registros de acessos mostram que Cezinha esteve 17 vezes no Ministério das Comunicações desde o início do governo Lula até fevereiro de 2025, e ele e Valéria estiveram em pelo menos cinco ocasiões nos mesmos dias no MCom em 2024 para encontros com Wellisch.
A fase 3 da Operação Transparência, deflagrada este mês pela Polícia Federal, investiga se os envolvidos negociaram pagamento de “valores expressivos” a pessoas que “poderiam influenciar decisões judiciais”.
O Ministério das Comunicações afirmou que a nomeação do servidor seguiu “critérios técnicos, como experiência profissional robusta e formação acadêmica especializada, além de um processo seletivo com diversas entrevistas”.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Transparência neste mês; a fase 3 da operação segue em curso.