Eleições

WhatsApp virou canal central de campanha; confiança amplia alcance

Mensagens de contatos privados circulam política, espalham desinformação e mudam o critério de checagem dos eleitores

PRedação Política.SP18 de out. de 2026, 09h31
WhatsApp virou canal central de campanha; confiança amplia alcance
Reprodução: www.poder360.com.br

WhatsApp se tornou arma eleitoral porque mensagens pessoais chegam com relação de confiança e mudam a avaliação do eleitor, diz João Paulo Borges.

Essa dinâmica levou conteúdo político das TVs e perfis oficiais para grupos de família, trabalho, igreja, condomínio e faculdade durante as eleições de 2022 e 2026.

O fenômeno não depende de organização: pessoas encaminham links, vídeos, memes ou supostas pesquisas por acreditarem na veracidade ou por confirmarem opiniões prévias.

Pesquisas mostram circulação intensa de conteúdo político em aplicativos: o NetLab, da UFRJ, analisou 115,9 mil mensagens em grupos públicos do WhatsApp no 1º turno de 2022 e 180,3 mil mensagens em grupos e canais públicos do Telegram.

Em 42% dos casos, grupos grandes se dividiram em subgrupos para falar só com quem pensa igual; metade dos usuários notou regras que desencorajam debates acalorados, reduzindo confrontos públicos.

A comunicação por WhatsApp cria bolhas e microssegmentação, tornando mais difícil identificar e corrigir desinformação, diz a cientista política Daniela Costanzo.

A desinformação mudou de forma: mensagens verdadeiras fora de contexto, declarações antigas recicladas e vídeos com legendas falsas foram produzidos para serem compartilhados.

Durante as eleições de 2026 circularam conteúdos falsos sobre candidatos, pesquisas, urnas e calendário de votação; um áudio mentiu que eleitores votariam em dias diferentes e o TSE desmentiu a informação.

115,9 mil — mensagens analisadas em grupos públicos do WhatsApp no 1º turno de 2022

180,3 mil — mensagens analisadas em grupos e canais públicos do Telegram no mesmo período

"Quando a propaganda oficial aparece, o eleitor liga o alerta; quando vem de amigo, a avaliação muda", disse João Paulo Borges.

Combater a circulação exige reconhecer que a confiança pessoal facilita compartilhamentos e que checagens oficiais enfrentam rejeição dentro dessas bolhas.

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