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Brasil incorpora Tratado de Budapeste com decreto e abre caminho a IDAs nacionais

Decreto nº 13.011/2026, publicado em 10 de junho, cria condição legal para instituições brasileiras pedirem reconhecimento como Autoridade Depositária Internacional.

PRedação Política.NEWS8 de set. de 2026, 19h05· 18 acessos
Brasil incorpora Tratado de Budapeste com decreto e abre caminho a IDAs nacionais
Reprodução: conjur.com.br

O Brasil publicou o Decreto nº 13.011/2026 em 10 de junho e concluiu a incorporação do Tratado de Budapeste à legislação nacional.

O decreto cria condição jurídica para que instituições brasileiras solicitem à Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi) o reconhecimento como Autoridade Depositária Internacional (IDA), permitindo depósitos nacionais de microrganismos usados em pedidos de patente.

O Congresso aprovou o tratado em junho de 2025 por meio do Decreto Legislativo nº 174; em outubro de 2025 o país depositou o instrumento de adesão na Ompi; o acordo passou a vigorar para o Brasil em 20 de janeiro de 2026; faltava só a incorporação interna, agora assegurada pelo decreto presidencial.

O Tratado permite que um único depósito feito perante uma IDA seja aceito por todos os países signatários, substituindo a necessidade de múltiplos depósitos em cada jurisdição e reduzindo custos e logística para depósitos de bactérias, fungos e leveduras envolvidos em pedidos de patente.

As IDAs são coleções de cultura autorizadas pela Ompi a receber, armazenar e fornecer amostras de microrganismos para fins de patente; até setembro de 2025 havia 52 IDAs em funcionamento no mundo e nenhuma estava no Brasil.

O decreto não altera procedimentos perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): por enquanto continuam reconhecidos apenas depósitos realizados junto às IDAs já estabelecidas no exterior; a mudança é permitir que instituições brasileiras pleiteiem credenciamento junto à Ompi.

58.738 — pedidos de patente relacionados à biotecnologia depositados no Brasil desde 2010, identifica o Radar Tecnológico de Biotecnologia do INPI.

17% — participação da biotecnologia no total de depósitos no Brasil entre 2019 e 2022.

86% — parcela de pedidos depositados por depositantes estrangeiros no Brasil.

37% — participação dos EUA entre os depósitos estrangeiros.

36% — participação das preparações medicinais com plantas entre os depósitos nacionais.

Entre os depositantes estrangeiros citados estão Roche, Basf, Regeneron, Novartis e Genentech; entre os depositantes nacionais aparecem UFMG, USP, UFPR, Unicamp, Embrapa, Petrobras, Natura Cosméticos, Braskem e Suzano.

Com o primeiro credenciamento de IDA brasileira concretizado, pesquisadores e empresas poderão depositar material biológico em território nacional, reduzindo custos e simplificando logística para proteção de invenções que usam a biodiversidade brasileira.

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