Abstenção bate recorde: 21,1% e 33,4 milhões ficaram fora das urnas
Baixa renda, idade avançada e desalento são apontados como causas; professor diz que Lula pode ser prejudicado no 2º turno

21,1% dos eleitores faltaram ao primeiro turno, o equivalente a 33,4 milhões de pessoas.
A abstenção deve prejudicar a candidatura de Lula no segundo turno, segundo Eduardo Grin, professor da FGV.
De cada dez eleitores aptos, dois não votaram; a porcentagem é recorde para o primeiro turno das eleições presidenciais.
Eduardo Grin, mestre em Ciência Política pela USP e professor da Escola de Administração da FGV, aponta três causas principais: baixa renda, idade avançada e desalento.
Ele argumenta que eleitores de baixa renda enfrentam dificuldade de locomoção e problemas de transporte para chegar às seções eleitorais.
Grin destaca que eleitores acima de 60 anos têm problemas de saúde e dificuldade de locomoção, e que o voto deixa de ser obrigatório a partir dos 70 anos.
O desalento reúne eleitores que não acreditam que eleições possam melhorar suas vidas; neste grupo estariam mulheres e jovens a partir dos 16 anos, diz Grin.
21,1% — taxa de abstenção no primeiro turno
33,4 milhões — número de eleitores que não compareceram
2 em 10 — proporção de aptos que faltaram às urnas
60 anos — faixa etária citada com dificuldades de locomoção
70 anos — a partir dessa idade o voto não é obrigatório
“Há um grupo considerável que não vê as eleições como um processo capaz de melhorar suas vidas”, disse Eduardo Grin, professor da FGV.
Grin avalia também que a ausência de palanques nos três maiores colégios eleitorais — Minas, São Paulo e Rio — pode prejudicar a reeleição de Lula no segundo turno.