Dívida atrelada à Selic bate recorde histórico e chega a R$ 4,84 tri
Em agosto, 52,74% da dívida pública federal foi em títulos pós-fixados; em setembro caiu para 51,60% (R$ 4,84 trilhões).

A participação de títulos ligados à Selic atingiu 52,74% da dívida pública federal em agosto de 2026, recorde desde dezembro de 2000.
A queda para 51,60% em setembro deixou ainda mais da metade da dívida atrelada a taxas flutuantes, equivalente a R$ 4,84 trilhões.
O assessor Cristiano Henrique Luersen, sócio da Wiser/BTG Pactual, apontou que o recorde vale para a dívida federal total, incluindo externa, e que só a dívida interna ligada à Selic estava em 53,6% em setembro.
Luersen destacou que a parcela ligada a taxas flutuantes subiu de 39,66% em dezembro de 2023 para 46,29% em 2024 e 48,25% no fim de 2025, chegando a 52,74% em agosto de 2026.
As LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) acompanharam a Selic de 13,75% ao ano; nos 12 meses até setembro, LFTs tiveram custo médio de 14,67% ao ano, acima do custo médio da dívida interna de 13,03%.
Luersen estimou que cada aumento de 1 ponto percentual na Selic, mantido por 12 meses, acrescenta R$ 48 bilhões ao custo anual da dívida — cerca de R$ 4 bilhões por mês.
Mesmo com predominância de LFTs, o Tesouro emitiu R$ 77,28 bilhões em prefixados em setembro, contra R$ 71,75 bilhões em papéis de taxa flutuante.
O Tesouro recomprou R$ 31,6 bilhões em títulos em 26 e 27 de outubro para enfrentar instabilidade, e taxas de contratos com vencimento em 2035 subiram de 12,7% para 15,2% entre 23 e 26 de outubro.
No final de 2002, 45,8% da dívida estava vinculada ao câmbio; em setembro de 2026 essa parcela caiu para 3,7%, mostrando mudança do risco cambial para o risco de juros.
52,74% — participação de títulos atrelados à Selic na dívida federal em agosto de 2026
51,60% — participação em setembro de 2026
R$ 4,84 trilhões — valor vinculado a taxas flutuantes em setembro de 2026
13,75% — Selic citada como taxa básica em outubro de 2026
14,67% — custo médio das LFTs nos 12 meses até setembro de 2026
R$ 48 bilhões — custo anual adicional por 1 ponto percentual na Selic, segundo estimativa
“Para mim, a tendência pesa mais do que o recorde de um mês: no fim de 2023, essa parcela era de 39,7% e em menos de três anos ganhou quase 12 pontos”, disse Cristiano Henrique Luersen.
O Tesouro terá de refinanciar R$ 1,08 trilhão em duas grandes séries de LFTs em 2027: R$ 581,6 bilhões em 1º de março e R$ 501,5 bilhões em 1º de setembro.